poéticas da voz, metarmorfoses do canto: máquinas de sentidos: artigo de GGabriel Albuquerque

“(…) nesse contexto, uma série de trabalhos brasileiros recentes expandindo a concepção e a utilização da voz, deslocando-a de seu posto figurativo do (bel) canto. a musicóloga, performer e compositora gaúcha isabel nogueira lançou dois trabalhos este ano: voicing, disco solo, e lusque fusque, com o coletivo medula. as obras propõem a imersão em uma “voz-som, voz-sentido, voz-ruído”, uma confluência de vozes que se transformam em meio à bits e ondas eletromagnéticas em um espaço-tempo estendido.

 “através de colagens, prolongamentos, sobreposições, uso de loops, uso de recursos onde a semanticidade da palavra deixa de ser seu sentido primordial, pretende-se criar camadas de sentido onde deixa de ser perceptível uma unicidade da voz e suas associações com gêneros ou contextos sociais”, detalha isabel.

integrante do medula e colaborador de diferentes trabalhos de isabel nogueira, luciano zanatta explica que lusque fusque trabalha com e no limiar da canção para, no fim, reinventá-la. “o disco parte de ter a voz, de ter alguma linha estrutural, mas que dialoga com ruído e com quebra de arranjo. é pegar vários paradigmas da canção – seja predominância da voz, inteligibilidade do texto, organicidade do arranjo, padrão de afinação, padrão de harmonia – e inserir um contexto musical que mostre, por exemplo, que aquela ideia de afinação, os doze tons, a escala temperada e etc. – não é tão rígida. a gente usa um outro modelo. a gente foi pensando em pegar os limites dos conceitos e fazer com que a matéria musical fizesse o limite se contradizer. tiramos tudo aquilo que parecia caracterizar uma canção, mas aquilo segue sendo uma canção”, reflete.”

http://www.ovolumemorto.com/single-post/2016/11/09/po%C3%A9ticas-da-voz-metarmorfoses-do-canto-m%C3%A1quinas-de-sentidos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *