Movimento das águas

Movimento das águas

Meio sem bússola, meio sem ar, as águas de 2019 foram salgadas de tanta lágrima.
Lágrimas de felicidade, incerteza, desbordamento, medo, deslumbre.
O sal da impermanência.
Maldita impermanência…
Gloriosa impermanência!
Ver e sentir potencialidades na gente mesma e nas outras ao redor move uma magia que vai além dos mundos conhecidos.
E quando a gente vê isto, se sente instigada e comprometida a ir ver como é, a experienciar, fazer, viver, desbravar.
Depois de ver, não dá mais pra desver.
E o medo que vem junto?
Foda-se o medo.
Foda-se.
Sabe porque?
Porque não tem outro jeito, não tem tranquilidade possível depois de perceber a potência.
Algo dentro da gente desasossegou pra sempre e o único jeito é andar, mover, criar, nadar.
O mar é grande e largo, mas não é reto e nem fácil.
E um tanto grande do encanto está em planejar a travessia, antever os.portos, se encantar com a cor mutante das águas.
Daí foi-se.
Enlevo.
Cetim.
Por mais duro que seja, desliza.
Ta ai a corda onde a gente se enredou e é feliz todo dia desenrolando e tecendo.

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