Kbeats Vol.3

https://kinobeat.bandcamp.com/album/kbeats-vol-3-m-sica-eletr-nica-meridional

Através de 12 músicas a coletânea KBeats vol. 3 – Música Eletrônica Meridional, busca mapear e fomentar parte da nova produção de música feita no Rio Grande do Sul. Com um recorte de trabalhos que se utilizam de recursos digitais e eletrônicos em seus processos de criação, a compilação não se restringe a nenhum gênero musical, estimulando e valorizando a pluralidade local.

A coletânea é um espaço para divulgação de músicas feitas em 2017, de artistas que mesmo com influências do passado, criam sons que só poderiam ter sido criados hoje, com a chancela de micro evoluções tecnológicas que surgem a todo instante. Além da promoção no tempo presente, essa seleção se propõem a ser um arquivo temporal, um registro do espírito criativo de um determinado grupo de pessoas e período.

Mesmo que o foco seja amplo, o recorte curatorial de forma intuitiva favorece em maior parte trabalhos com estruturas rítmicas associadas a música de pista, sejam elas em tempo lento ou acelerado. Mas o flerte com a música experimental e exploratória é mais do que superficial, é uma estratégia pensada de infiltração e visibilidade, em busca de ouvintes menos treinados, que entre um House, Pop ou Techno, vão esbarrar em um Bytebeat nervoso criado em linguagem C.

A maioria dos artistas são debutantes em lançamentos, reforçando o frescor e importância para a posteridade do registro. E os artistas já iniciados também compartilham da mesma vivacidade dos iniciantes. Onde estarão esses artistas e suas músicas em 2027? Assumiremos algum protagonismo e especificidade com a música eletrônica produzida no Rio Grande do Sul? Atualmente não existe uma unidade e muito menos um som que caracterize a geolocalização no paralelo 30 e cercanias, mas quem sabe teremos rastros de uma produção para ser analisado nos próximos anos que nos responda essas perguntas.

A coletânea é uma iniciativa do Festival Kino Beat de arte eletrônica e tem a curadoria de Gabriel Cevallos.

www.kinobeat.com

 

sobre o tempo dos caranguejos

Um bilhete escrito à mão no armário da cozinha,

à lápis,

Uma letra de musica rascunhada, frente e verso.

Algumas palavras tachadas e substituídas por outras.

Leio e relembro a melodia da canção e penso que nunca gravei.

Penso se teria escrito em algum caderno, ou em um arquivo do computador

Ou só ali

Entre a lista de supermercado, a receita de bolo, a indicação de homeopatia

Tirar isto dali e guardar em outro lugar

Antes que eu esqueça dela (de novo, pensei)

Fico feliz de pelo menos não ter que dar conta de um desenvolvimento disto

Mas talvez tenha que fazer, um dia

(Melhor guardar)

Sim, assim que terminar o café eu guardo.

Podia escrever um texto sobre isto:

Sobre a efemeridade das coisas

Sobre os descaminhos da canção

Sobre o processo criativo misturado ao cotidiano.

(segue lá, a canção)

Vim escrever, guardo depois.

Não importa quantos meses demore.

Entre o tempo de maturação dos caranguejos e minha organização peculiar.

(guardei)

19 de março de 2017

Cities and Memory

February 5, 2016 marks 100 years since the founding of the Cabaret Voltaire in Zurich, and thus the beginning of Dada.

To mark the occasion, Cities and Memory: Dada Sounds marks a century of Dadaism by applying the techniques and practices of Dada to field recordings from around the world, bringing a Dadaist approach to the concepts of sound, place and memory and creating a new, Dada-inspired sound world.

Explore the Dada Sounds on the sound map below, and in the playlist.

Dada Shareable_1

Dada Sounds

Sonora!

Novo site do grupo Sonora!

Encontro de abertura – Sonora 2017

Sonora é palavra do gênero feminino. Surge de uma necessidade de visibilidade e diálogo sobre o trabalho artístico das mulheres. Como rede colaborativa, reúne artistas e pesquisadorxs interessadxs em manifestações feministas no contexto das artes. Propõe a criação e ocupação de espaços, a realização de pesquisas e debates, e está envolvida em atividades musicais de diversas vertentes. Atualmente Sonora realiza três atividades regulares: um grupo de estudos com discussões de textos e sessões de escuta; a série vozes, que recebe mulheres artistas para falarem sobre seus próprios trabalhos; e a série visões que recebe pesquisadorxs que atuam na áreas de gênero e feminismos. Sonora é atravessada por incertezas, indefinições, reticências, aberturas, afetividades, sensibilidades, ruídos.

“quando sai de lindo, vira belo” – sobre gravações e outras coisas

“quando sai de lindo, vira belo” (Déa Trancoso, aqui: http://www.youtube.com/watch?v=ok7e3iBLF1w
No ultimo sábado terminamos as gravações de voz de vestigios violeta, gravando piano e voz da cançao Gismontiana, de Déa Trancoso, com arranjo para piano do próprio Egberto Gismonti.
Uma emoçao enorme gravar piano e voz desta canção linda, no arranjo deste que é, além de um dos maiores da musica do mundo todo, é o cara que eu escuto e admiro desde sempre. Nao foi por acaso que deixei para o final esta canção. Queria estar treinada na entrega e no aprendizado de humildade que é entrar em um estúdio de gravação. Foram quatro finais de semana com a parceria, a escuta atenta, a excelência técnica, o auxilio luxuoso de Gilberto Oliveira, Gilberto Ribeiro Jr e Lígia Ligia Motta. Um deslumbre, um privilegio, a emoçao da produção do disco, o descobrir da voz a cada dia, o reencontro com o piano. Saber que venho dele e volto para ele, meu primeiro companheiro deste caminho musical. Depois da canções, gravar os belos textos da Monique Revillion e a poesia da Angelica Freitas Freitas. Mais lindezas. Agora, gravando percussao e violao aço do Davi Hackbart Covalesky, trabalhando na design do cd com a obra do Madu Lopes e a criatividade da Denize Barros . Mesmo que a musica da Violeta Parra que escolhi gravar em Vestigios Violeta seja Maldigo del alto cielo (que, como diz o Juan Pablo Gonzalez, é muito mais rock’n’roll), está em todo este processo, muito presente, um profundo “gracias a la vida”.